sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Outras meninices


Existem coisas que achamos que conhecemos bem e na verdade somos grandes ignorantes no assunto. Por exemplo, quando me casei eu montei a maioria de meus móveis. Um deles, o balcão da cozinha, foi montado por mim com muito cuidado, minúncia e "precisão". Não foi o primeiro a ser montado, nem tinha o esquema mais complicado, estava moleza! Até o finalzinho da montagem estava tudo jóia, tudo se encaixava perfeitamente até que percebi a falta de alguns pinos, também percebi que sobravam parafusos, que droga!!! Até hoje ele é meio tortinho.

Estas coisas acontecem o tempo todo, pelo menos comigo. Quando eu estava na faculdade de vez em quando eu saía das provas com idéias equivocadas a respeito do meu desempenho. Já proporcionei vários desgostos aos meus professores, escrevia cada absurdo! Uma professora muito querida (Prof. Rosa Marquez) escreveu em uma de minhas provas de cálculo 3: "Que vagunça!" (com "v" mesmo!). Perceba como ela foi misericordiosa ao não chamar a atenção para as bobagens escritas mas sim para a bagunça. Também note como ela ficou assustada com minha prova mal feita, "escrebeu" bagunça com "v"!

Este tipo de equívoco também ocorre na caminhada cristã, mais uma vez: pelo menos comigo. Quando me converti ao meu Senhor, meus líderes me ensinaram algumas coisas ligeiramente equivocadas, outras não muito ligeiramente e também muitas coisas que são verdadeiras e as guardo comigo como bem precioso.

Pra mim é muito difícil separar estas coisas. Eu era um adolescente confuso e novo convertido. Em um curto espaço de tempo experimentei muitas coisas novas: a caminhada cristã, a vida na igreja, novas amizades e ainda tinha a música que me encantava de forma semelhante a descrita
por Oswaldo Montenegro na música Lua e flor (aquela do Sassá Mutema, lembra?) "Eu amava como amava um pescador, que se encanta mais com a rede que com o mar." Não é fácil discernir coisas daquele tempo.

Uma coisa que me marcou muito foi a música Projeto de Deus (Tu és Deus, de graça e ...., Lembra, ? Todo crente sabe essa. Se vc não for crente e quiser ouvir esta canção clique aqui, vale a pena!). O último verso pra mim foi muito impactante: "Pois minha vida é um projeto de Deus e nada pode Mudar". Eu cantava com toda a força de meu pulmão este verso que de fato considero verdadeiro, mas eu não o entendia muito bem, tinha certeza que o entendia, mas eu estava errado.

Eu sentia que todos os meus planos, que eram muitos, parte deles bem ousados, estavam todos garantidos "Pois minha vida é um projeto de Deus e nada pode Mudar". Me sentia poderoso e seguro. Pouco a pouco fui me frustrando, uma coisinha aqui que não acontecia, outra coisona ali que, com certeza, nunca iria acontecer. Deus não estava parecendo muito "fiel" comigo. Fiquei bastante confuso em certo momento de minha vida cristã.


Percebi então o óbvio, a minha vida é um projeto de Deus!!! Como
demorei tanto para notar isto?
O projetista, ou o tapeceiro segundo Stênio , não sou eu! Que tolo que fui! Tentei moldar a minha vida e também as ações de meu Deus como se eu tivesse alguma capacidade para isto. Tentei "montar" a minha história como se possuísse a visão além do alcance da espada justiceira (desculpem-me a referência aos Thundercats). Mais uma vez: que tolo que fui! Quanta meninice!

Hoje canto este verso com mais entusiasmo e devoção que no passado. Canto me sentindo amado e em segurança. Canto tendo a certeza que sou Dele e que estarei para sempre com meu Deus. Pois minha vida é um projeto de Deus e nada pode Mudar.



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